Doces Tradicionais
Uma galeria interativa dos doces mais emblemáticos de Portugal
Pastéis de Nata
História
Os pastéis de nata têm origem no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, no século XIX. Os monges criaram esta receita para utilizar as gemas de ovo que sobravam após usar as claras para engomar os hábitos. Com o encerramento dos conventos em 1834, a receita foi vendida e o segredo mantido até hoje pela Fábrica dos Pastéis de Belém.
Este doce combina uma massa folhada crocante com um creme de ovos cremoso e levemente caramelizado no topo. A técnica de cozedura em forno muito quente cria a característica camada dourada e caramelizada que distingue os verdadeiros pastéis de nata.
Características
- Massa folhada artesanal
- Creme de ovos e açúcar
- Cozedura a alta temperatura
- Origem: Lisboa, Belém
Ovos Moles de Aveiro
História
Os ovos moles são uma especialidade conventual de Aveiro, com receitas que remontam ao século XVI. As freiras dos conventos de Aveiro desenvolveram esta técnica única de trabalhar gemas de ovo com açúcar, criando uma pasta doce e cremosa que é tradicionalmente envolvida em hóstia.
A forma de concha que caracteriza os ovos moles de Aveiro é uma homenagem à ligação da cidade com o mar e a ria. Em 2008, os ovos moles de Aveiro receberam a Denominação de Origem Protegida, reconhecendo a sua importância cultural e gastronómica.
Características
- Gemas de ovo e açúcar
- Envolvidos em hóstia
- Forma de concha marinha
- Origem: Aveiro
Toucinho do Céu
História
O toucinho do céu é um doce conventual típico do Alentejo, criado pelas freiras dos conventos da região. O nome curioso vem do facto de, originalmente, a receita incluir banha de porco, que foi substituída por manteiga ou azeite, mantendo a textura característica.
Este doce combina amêndoas moídas, gila (abóbora cristalizada), gemas de ovo e açúcar, resultando numa textura densa e sabor intenso. É tradicionalmente servido em quadrados ou losangos, sendo uma presença constante nas festas e celebrações alentejanas.
Características
- Amêndoas moídas
- Gila cristalizada
- Gemas de ovo
- Origem: Alentejo
Pudim Abade de Priscos
História
O pudim Abade de Priscos deve o seu nome ao abade Manuel Joaquim Machado Rebelo, que viveu em Priscos, Braga, no século XIX. Este abade era conhecido pela sua paixão pela culinária e criou esta receita única que combina ingredientes inusitados.
A receita original inclui toucinho, o que confere uma textura e sabor únicos ao pudim. A combinação de ovos, açúcar, vinho do porto e toucinho resulta num pudim denso, cremoso e com um sabor complexo que distingue esta especialidade do norte de Portugal.
Características
- Ovos e açúcar
- Vinho do Porto
- Toucinho
- Origem: Braga, Priscos
Queijadas de Sintra
História
As queijadas de Sintra são um dos doces mais antigos de Portugal, com referências que remontam ao século XIII. A receita tradicional utiliza requeijão fresco, açúcar, farinha e canela, criando pequenos pastéis com uma textura única.
Esta especialidade está intimamente ligada à vila de Sintra e à sua história. As queijadas eram tradicionalmente preparadas nos conventos locais e tornaram-se um símbolo da região, sendo hoje uma das lembranças mais procuradas pelos visitantes de Sintra.
Características
- Requeijão fresco
- Açúcar e farinha
- Canela em pó
- Origem: Sintra
Papos de Anjo
História
Os papos de anjo são um doce conventual que remonta ao século XVI, criado pelas freiras portuguesas. O nome poético vem da sua aparência suave e delicada, que lembra pequenas almofadas ou papos.
A receita utiliza principalmente claras de ovo batidas, açúcar e um toque de limão, resultando num doce leve e esponjoso. Após a cozedura, os papos de anjo são mergulhados em calda de açúcar, absorvendo a doçura que os caracteriza. Este doce é tradicionalmente servido em ocasiões especiais e festas religiosas.
Características
- Claras de ovo batidas
- Açúcar e limão
- Calda de açúcar
- Origem: Conventos portugueses
Barriga de Freira
História
A barriga de freira é um doce conventual com uma história curiosa. O nome vem da forma arredondada e doce do preparado, que tradicionalmente era feito com pão amanhecido, açúcar, ovos e especiarias. As freiras dos conventos aproveitavam os restos de pão para criar este doce económico mas delicioso.
Este doce representa a criatividade e o engenho das freiras portuguesas, que transformavam ingredientes simples em verdadeiras obras de arte doçaria. A receita varia ligeiramente entre regiões, mas mantém sempre a essência de aproveitamento e tradição que caracteriza a doçaria conventual portuguesa.
Características
- Pão amanhecido
- Ovos e açúcar
- Especiarias
- Origem: Conventos portugueses